Pessoas inseguras, ao iniciarem um relacionamento, muitas vezes invertem a ordem natural das coisas. Em vez de observar o outro, conhecer, sentir e então decidir se essa pessoa realmente lhes faz bem, acabam se esforçando para conquistar, agradar e provar constantemente o próprio valor, ainda que essa pessoa já mostre características ou comportamentos desfavoráveis.
Com isso, deixam de perceber se estão sendo valorizadas e passam a viver tentando convencer o outro de que merecem amor. A relação se torna uma busca por aprovação, em vez de uma troca genuína, o que deveria ser o objetivo.

Quando algo dá errado, é comum surgirem pensamentos dolorosos: “Eu não mereço”, “Devo ter algo de errado”, “Não entendo por que ninguém me quer” ou “Tenho o dedo podre para escolher”. Essas crenças, além de rígidas, são profundamente injustas, pois impedem que a pessoa faça boas escolhas e mantenha a autoestima equilibrada.
O problema é que essa vulnerabilidade pode atrair pessoas emocionalmente indisponíveis ou até mal-intencionadas, que se aproveitam da fragilidade do outro. Assim, o sofrimento se repete e o ciclo se reforça: quanto mais a pessoa busca ser aceita, mais se afasta de si mesma.
Por isso, é essencial aprender a voltar o olhar para dentro. Em vez de tentar descobrir apenas o que fazer para ser amada, é importante se perguntar:
O que eu realmente quero viver ao lado de alguém? Quais atitudes, valores e formas de afeto me fazem bem?
Quando há clareza interna, as escolhas se tornam mais conscientes, e o relacionamento deixa de ser uma tentativa de preencher vazios que se referem a um passado, a uma história da própria vida e não sobre o relacionamento atual, pois este deveria ser uma página em branco.
Também é importante exercitar a observação sem pressa. No início de uma relação, a ansiedade costuma empurrar para decisões rápidas, mas é com o tempo que o comportamento do outro revela quem ele realmente é. Observe mais, idealize menos. Aceite o que o outro mostra, em vez de tentar mudar quem ele é para caber nas suas expectativas.

E, principalmente, não entregue o poder de decisão ao outro. O amor saudável exige reciprocidade, não esforço unilateral. Por mais difícil que seja, se algo não estiver fazendo bem, permita-se abrir mão e seguir em busca de um caminho mais leve e feliz. Encerrar uma relação não é fracasso; é um ato de coragem, amor próprio e consciência do que se quer.
A psicoterapia pode ser uma grande aliada nesse processo. Ela oferece um espaço seguro para olhar para si com mais carinho, compreender feridas antigas e aprender a se relacionar de forma mais amorosa e confiante. Cuidar das próprias emoções é o primeiro passo para construir relações mais verdadeiras, iniciando pela relação com você mesma.



